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Os Bispos da Babilônia


Voltaire, em seu Tratado Sobre a Tolerância, diz que a Igreja Cristã jamais marchara unida durante as perseguições de Domiciano. A ideia de Voltaire provavelmente era minar o ideal de Cristandade pré-Reforma, alegando que as comunidades cristãs primitivas eram um coletivo de pequenas seitas que se excomungavam mutuamente. Sustentamos aqui que Voltaire estava errado, que a Igreja fundada por Cristo e confiada aos apóstolos, a Igreja difundida por Paulo pela terra conhecida na época, essa Igreja era uma instituição divinamente preservada em unidade, sob o mandato da Igreja de Roma, unida pelos laços da Sucessão Apostólica. Quando Constantino, através do Édito de Milão, declarou a tolerância aos cristãos, Melcíades era o papa (trigésimo segundo papa). O Primado de Pedro e a Sucessão Apostólica não são infiltrações teológicas na fé deixada por Cristo e pregada pelos primeiros cristãos, mas seus íntimos constituintes.

Paulo afirma que os apóstolos possuem autoridade e que podem impor ordens às Igrejas (1 Tessalonicenses 2, 6-7), sendo que ele próprio o fez para todas elas (1 Coríntios 7, 17). O Apóstolo dos Gentios inclusive se refere a Alexandro, Himeneu e Fileto, que haviam sido excomungados por pregar doutrina diversa dos apóstolos (2 Timóteo 2, 16-18 e 1 Timóteo 1, 18-20). Outro apóstolo, João, fala em sua carta de homens "que saíram de nosso meio mas não eram dos nossos" (1 João 2, 19), e o próprio Pedro (Simão e Cefas) fez a primeira excomunhão contra Simão, o Mago (Atos 8, 14-24). Pedro presidiu as primeiras pregações públicas fechada (Atos 2, 14-40) e aberta (Atos 3, 12-26), em nome da Igreja, registradas na Bíblia. Presidiu a primeira causa jurídica da Igreja mencionada na Bíblia (Ananias e Safira em Atos 5, 1-11), arbitrou sobre a possibilidade de gentios ingressarem na Igreja (Atos 10, 1-48) e sobre a necessidade de se circuncidar ou não (Atos 15,7-11).

É fé católica que Deus constituiu Pedro como primeiro papa ao lhe mudar o nome e declarar que lhe entregaria as chaves do reino dos céus. Em Isaías 22, 22, vemos que o mordomo do rei Davi era o encarregado da chave de sua casa, que abria e fechava com autoridade. Jesus foi aclamado como filho de quem, quando entrou em Jerusalém? Em Isaías 51, 1, o profeta conclama os Israelitas a lembrarem da pedra de onde foram tirados (Abrão, cujo o nome Deus mudou para Abraão), que era casado com Sarah (anteriormente Sarai, a Estéril) e o neto deles era Jacó (cujo nome foi mudado por Deus para Israel).

Em sua primeira Epístola, presente na Bíblia, Pedro saúda os destinatários, conjuntamente com Marcos, em nome da "igreja escolhida da Babilônia". "Babilônia" era o nome dado pelos judeus à Roma Pagã, onde Pedro exerceu seu ministério e foi martirizado. Jesus havia dado aos seus apóstolos o poder de perdoar pecados (João 20, 23), consagrar o pão e o vinho (Lucas 22, 19) e pregar o evangelho (Marcos 16, 15), e os apóstolos demonstraram no próprio texto da Bíblia que esse poder não se perdia com a morte deles e podia ser passado adiante (Eleição de Matias em Atos 1, 15-26). J. N. D. Kelly, historiador protestante, ao estudar a história primitiva do Cristianismo, afirma que existe uma Tradição oral transmitida pelos apóstolos e seus sucessores, e destes para seus seguidores, publicamente na Igreja. Kelly faz questão de contrapor e diferenciar essa Tradição às doutrinas secretas dos gnósticos (entendeu, senhor Dan Brown?).

Irineu De Lyon (+202), sucessor de Policarpo de Esmirna, sucessor do apóstolo João, diz em sua obra Contra as Heresias que todas as demais igrejas devem concordar com a igreja de Roma, porque ela mantém a tradição recebida dos apóstolos. Muito tarde? Clemente de Roma (o quarto papa), por volta do ano de 96, escreveu aos coríntios (Grécia), afirmando que Pedro e Paulo "sofreram entre nós", solucionando controvérsias daquela comunidade. Clemente, o Bispo de Roma, se imiscuía nos assuntos da igreja da Grécia enquanto o apóstolo João ainda era vivo, vivendo na Grécia e só falecendo durante o pontificado de Evaristo. Por que João permitiu que Clemente tivesse ingerência sobre sua região? Talvez pela mesma razão por que esperou que Pedro entrasse primeiro que ele no sepulcro de Cristo, mesmo que o Discípulo Amado tivesse chegado antes dele (João 20, 4-6) e ficado junto à cruz enquanto o outro negou e fugiu (João 19, 26-27).

Durante o Concílio de Éfeso, no ano de 431, Felipe, o Legado do Romano Pontífice, em seu discurso, referiu-se ao Apóstolo como Príncipe e Cabeça dos Apóstolos, Coluna da Fé e Fundamento da Igreja Católica. Em 451, no Concílio de Calcedônia, Pedro foi chamado de Rocha e Fundação da Igreja Católica, de Três Vezes Glorioso e Bem Aventurado, inclusive foi dito que Pedro "falava pela boca de Leão" (Arcebispo de Roma naquela época). O Bispo de Constantinopla, João Crisóstomo (+407), afirmou que "no interesse da paz e da fé, não se pode discutir questões relativas à fé sem o consentimento do bispo de Roma". O professor Felipe Aquino chama atenção ao fato de que nenhum outro papa adotou o nome de Pedro: todos eles são Pedro. Seja Leão Magno (440-461), enfrentando Átila, o Huno, Júlio II, ordenando a pintura do teto da Capela Sistina (1503-1513), Pio XII (1939-1958), ocultando judeus da perseguição de Hitler... Jesus prometeu que estaria acompanhando o apostolado até o fim das eras (Mateus 28,20), para que Pedro apascentasse suas ovelhas (João 21, 15-17). O mandato de Pedro vive pela sua cátedra.


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