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O perdão e a paz


      Nosso Senhor escandalizou seus contemporâneos ao perdoar pecados (S. Marcos 2,1-12; S. Lucas 5, 17-21). Ele afirma ter esse poder por ser Deus, e a Bíblia nos diz que Ele concedeu esse poder aos apóstolos soprando sobre eles o Espírito Santo (S. João 20, 19-23). O apóstolo São Tiago exortava a Comunidade a confessar seus pecados uns aos outros (S. Tiago 5, 16), já naquela época demonstrando que assumir publicamente as próprias faltas era importante para que "fossem curados". O pecado não pode ficar oculto, mas deve ser exposto àqueles que podem tratar da ferida deixada pela mordida do demônio (o pecado segundo São Jerônimo, Comentário ao Eclesiastes). A forma mudou desde a antiguidade, quando ela era feita diante de toda a comunidade (atestado pela Didaquê entre os anos 60 e 70 D.C), porém o princípio de distribuir misericórdia aos pecadores já batizados permaneceu, sendo reafirmado por S. Ambrósio de Milão e Cipriano de Cartago quando da excomunhão dos Novacianos .      Assim como o servo do nobre leproso sírio, Naamã, (2 Reis 5, 1-18) chama a atenção de seu senhor por se recusar a receber a cura que o profeta Eliseu lhe prometeu caso se banhasse no rio, assim também o Santo Padre João Paulo II censura os católicos que desprezam os ritos do sacramento da Reconciliação, pois se o Senhor assim dispôs que fosse o caminho, cabe a nós apenas nos abandonarmos confiantemente nas mãos daquele que vem nos curar e não nos acusar (Reconciliatio et Paenitentia, 1984). Na Praça São Pedro, em fevereiro de 2014, Francisco endossou de maneira expressa o que seu predecessor disse: confessar-se "diretamente com Deus" não é o bastante, humilhar-se pode ser saudável e reconciliar-se com a Comunidade é também fundamental. Essa lição de humildade como porta para o coração de Deus está presente desde o Antigo Testamento: a confissão pública nacional dos Israelitas (Neemias 9, 2-3), a confissão dos pecados diante do sacerdote seguida da oferta e a limpeza das faltas (Levítico 5, 1-10; Números 5, 6-7), a orientação sobre os pecados e interpretação da lei (Deuteronômio 17, 9).      Em 1383, por ordem de Venceslau IV, São João Nepomuceno foi atormentado e precipitado no Rio Moldávia. Ele havia se recusado a quebrar o segredo da confissão que lhe confiaram. O mesmo destino se repetiu com Mateus Correa Magallanes por fuzilamento no México em 1927, Felipe Ciscar Puíg e Fernando Olmeda Reguero em 1936 (fuzilados na Espanha). O testemunho dos mártires não é o único, vide o milagre da cela de São Leopoldo Mandic, famoso por ouvir penitentes por até doze horas diárias por quarenta anos: a cela sobreviveu aos bombardeios de 1944 que destruíram o resto da Igreja, tendo o santo previsto o evento em 1932. O monumento da bondade de Deus foi preservado como o frade prometera.       Santo Agostinho lembra que, mesmo Jesus ressuscitando Lázaro, ele pede aos discípulos que removam suas faixas. Essa analogia retorna com Gregório Magno quase um século depois, explicando que os bispos podem perdoar porque são sucessores dos apóstolos, e os apóstolos podiam porque receberam o direito de julgar em nome de Deus e desligar os pecadores de suas cadeias. Um remédio que não deve ser adiado para o final da vida, mas exercitado sempre que nos afastamos da graça (Leão Magno). Por que? Ora, não se trata simplesmente de pedir perdão para poder comungar, mas de restaurar a sua amizade com Deus, estar consciente de sua própria natureza frágil e buscar aquele que pode repará-la. Nessa medida é que nos diz São Paulo "quando sou fraco é que sou forte" (2 Coríntios 10-12).  


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