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A Mãe e o "Mas"


Esse texto não parte da premissa errônea e indesculpavelmente inocente de que as crenças da Igreja e de nossos irmãos separados sejam equivalentes, mas visa demonstrar que a exegese bíblica atenta, mesmo partindo de uma tradição hostil aos Dogmas Católicos não pode se furtar em louvar a Mãe de Deus e se aproximar dela por simples coerência.

Para o teólogo protestante suíço Karl Barth, a mariologia católica é uma "excrescência que deveria ser removida", uma "uma irrupção pagã do conceito de uma divindade feminina e maternal". Porém, mesmo esse oponente furioso não tem a intenção de expurgar o que ele chama de Doutrina Mariana (marian doctrine) e diz que a nomenclatura "Mãe de Deus" era e é "sensata, permissível e necessária" para auxiliar à Cristologia. Estamos falando de um cidadão que não aprova a prática da Igreja, mas parece estar de acordo com vários pressupostos que justificam essa prática.

De fato, não é possível uma Cristologia coerente se não se aceita Maria como Theotokos (Mãe de Deus), pois através dela o Verbo se faz Carne. Admitir que durante este contato houve uma separação entre o Deus e o Homem na pessoa de Cristo significa que Ele não tomou sobre si nossa natureza, nem nossos pecados, e portanto não nos salvou. Se Cristo não é Deus ("Eu e o Pai somos um", João 10,30) ou se não é ao mesmo tempo um Homem Completo, Ele mentiu ou a Bíblia mentiu. Qualquer protestante que se preze nega essa tese absurda energicamente quando afirma que o sangue de Jesus (Atributo Humano) tem Poder (Atributo Divino). Se a Eternidade pode correr em veias, um útero pode abrigar o Verbo, que se fez zigoto, depois feto. Aquele que firmou as bases do universo foi embalado nos braços trêmulos de uma jovem judia encantada com sua criança. A Fartura viveu a fome, a Alegria soluçou em lágrimas. A Mente que concebeu as supernovas e os quasares, os flocos de neve, os neurônios e as fossas do oceano, olhava para esta criatura contingente e a chamava de "Mamãe".

No Pulpit Commentary de Joseph S. Exell e de Henry Donald Maurice Spence, os renomados autores protestantes, falando da Concepção Virginal realizada pelo Espírito Santo, dizem que Maria é "a mais profunda união entre natureza e espírito (...) o ponto mais puro da natureza e da história". Dessa forma, ela é o meio para Nova Criação, onde todas as aspirações piedosas da humanidade se encontram. Ela seria somente uma ferramenta passiva e circunstancial (ainda que excelente)? A resposta é não, como o Bispo Anglicano Harvey Goodwin diz ao elogiar a Fé de Maria, reconhecendo que, Isabel, ao chamá-la de bem-aventurada quando estava cheia do Espírito Santo ("bem aventurada aquela que acreditou"), está reconhecendo a mãe de Jesus como cooperadora em sua obra (fellow-worker).

O Ministro Batista Americano Timothy George (artigo Evangelicals and the Mother of God para a revista First Things) reflete sobre a permanência de Maria aos pés da Cruz, como Mãe da igreja que permanece. Claro que a noção protestante de "igreja" é distinta da noção católica, mas é interessante também perceber que George se aproxima ainda mais de nós ao interpretar a aparição Mariana no capítulo 12 do Apocalipse como Mãe da igreja, que descreve a igreja peregrina e perseguida. Outro autor protestante, Scot McKnight, elenca Maria como um exemplo a ser seguido e admite a hipótese de que, caso ela possa atuar como intercessora, essa intercessão seria similar àquela realizada entre os fiéis vivos uns pelos outros, ele inclusive afirma que isso é ensinado pela Tradição Católica. Mcknight porém, apesar de se aproximar de uma compreensão coerente do que a Igreja ensina, alega que a prática se desenvolveu de tal forma (Assunção e Coroação de Maria) que tira o foco de Cristo, numa distorção do dogma mariano.

Esta dissonância não existe, e isso é evidenciado pela tensão contraditória das posições de McKnight, que não fazem sentido enquanto posições de uma mesma pessoa: que Maria "é parte do plano redentor, foi escolhida por Deus", mas "que não fez nada pela redenção". Ora, este tipo de interpretação só faz sentido se adotada uma visão extremamente restrita de "trabalhar pela redenção", com o único sentido possível sendo realizar a Salvação, enquanto iniciativa exclusiva da Trindade, excluindo da definição qualquer colaboração humana, incluindo o assentimento da Fé e o Anúncio do Evangelho. Spurgeon, chamado "o príncipe dos pregadores" e o "último dos puritanos" se vale de todo um Sermão para demonstrar a riqueza do Magnificat entoado por Maria. Alguém que ensina a rezar desta forma é pelo menos uma Serva do Senhor.

Portanto, se queremos que os fiéis católicos apresentem sua Fé de maneira frutuosa no diálogo com os protestantes, devemos garantir que todos conheçam a Tradição da Igreja sobre os Dogmas Marianos, apresentando-os como realmente são: a entrega aos homens da Promessa feita aos patriarcas, uma atestação inequívoca da Divindade do Cristo em harmonia com Sua Humanidade e um louvor à obediência manifestada pela mais excelente das criaturas.


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