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Um coração para ser tomado.

O mestre italiano Pompeo Batoni (1708 – 1787) com maestria conseguiu exprimir o ponto central da devoção ao Sagrado Coração de Jesus: o Sagrado Coração de Jesus é dado e espera ser tomado por nós. Porém, como iremos tomar o Sagrado Coração de Nosso Senhor Jesus que Ele nos oferece? Podemos fazer isso, isto é, podemos amar a Deus de volta? Como poderemos tomar em nossas mãos sujas o Coração Puríssimo de Cristo? Quando tomamos o conhecimento de quem somos e de nossa miséria, parece-nos que aceitar a proposta de Cristo de tomar Seu Coração Maravilhoso em nossas vidas é algo extremamente difícil. Temos a impressão de que o mandamento de amar a Deus é uma obrigação impossível.

Ocorre que, quando Deus nos dá um mandamento, no caso o de tomar Seu Coração para amá-Lo, tenhamos em mente que Deus não é um sádico! Ele manda capacitando-nos ao cumprimento de Seu mandamento. Recorda-se de quando Deus fez a Luz: “Deus disse: "Faça-se a luz!" E a luz foi feita.” (Gn I, 3). Ele deu uma ordem para que a luz fosse feita do nada e com Seu poder ela foi feita. De igual modo, quando Nosso Senhor Jesus Cristo cura o coxo de Betzata, Ele dá uma ordem e o poder para aquele homem cumpri-la: “Ordenou-lhe Jesus:

"Levanta-te, toma o teu leito e anda." No mesmo instante, aquele homem ficou curado, tomou o seu leito e foi andando.” (Jo V, 8 – 9).


Na criação do mundo e na cura do coxo, bastou uma ordem para que pudessem ocorrer; nossa capacidade de amar a Deus em resposta ao Seu Amor, porém, necessitou mais do que uma ordem, necessitou a encarnação do Verbo de Deus, fonte de nossa santificação e capacitação para amar a Deus como Ele quer ser amado.


O Venerável Papa Pio XII, quando da edição de sua encíclica Haurietis aquas, que trata da Devoção ao Sagrado Coração de Jesus (1), explica que a fonte principal do culto ao Coração de Jesus é o dogma católico da união hipostática: Jesus é verdadeiro Deus e verdadeiro homem, pois sua natureza divina está perfeitamente unida à Sua natureza humana. O Filho de Deus, que é eterno e puramente espiritual, ao assumir um corpo humano, assumiu também toda a condição da natureza humana, exceto o pecado. Com isso, em Cristo passam a existir, de forma perfeitamente harmoniosa, o amor divino, o amor espiritual e o amor sensível (Haurietis aquas, n. 21 - 23), estes últimos próprios da natureza humana. Quando unidas em Cristo a divindade e humanidade e o amor divino e humano, o gênero humano perdido pelo pecado é salvo e remido, pois agora realmente consegue amar a Deus conforme a vontade divina.


Assim, quando vivemos devotamente unidos a Cristo pela Fé e à recepção dos Sacramentos (especialmente o do Batismo), somos capazes de, livres de toda desordem, amar totalmente a Deus, tal qual nos amou Nosso Senhor Jesus Cristo pelo cumprimento integral e obediente dos mandamentos. Nesse sentido, viver a devoção ao Sagrado Coração de Jesus é o pleno cumprimento da profecia de Ezequiel em nossas vidas: “Eu vos darei um coração novo e porei em vós um espírito novo” (Ez XXXVI, 26).


Apesar das nossas desordenadas paixões e de nossos amores humanos completamente desnorteados, se verdadeiramente somos devotos ao Coração de Cristo, isto é, vivemos com profundo amor à Humanidade Deificada da Segunda Pessoa da Santíssima Trindade, hauriremos um poder sobre-humano que nos transforma e nos capacita a amar Deus de volta; a tomar este mesmo Coração e amá-Lo totalmente. Aquele Coração humano e divino de Cristo nos é entregue para que o amemos, amemos como verdadeiros amigos, amor que nós devemos dar sem medo ou paralisia! Santo Tomás de Aquino, ao ser questionado sobre como se salvar, respondeu: “Querendo.” (2) Nosso Senhor Jesus Cristo, ao dar-nos o Seu Coração, nos dá todo o Seu amor para que tomando-O e unindo-se a Ele, nós o amemos de volta conforme a vontade do Pai. Queiramos, pois, tomar verdadeiramente o Sagrado Coração que

Jesus nos oferece; Deus mesmo irá fazer o transplante de corações prometidos.


Será Ele a nos capacitar ao Amor, se verdadeiramente o quisermos e vivermos uma vida condizente com esta vontade de amar ao Sagrado Coração de Jesus.


O Sagrado Coração de Jesus é um coração para ser tomado por cada um de nós, portanto ele nos escolheu para sermos seus amigos (Jo XV, 15). Que tipo de amigos seríamos se recusássemos a entrega livre do coração de nosso amigo? Tomando o Coração de Jesus nós poderemos amar a Deus integralmente como os mesmos três amores com os quais Deus nos amou em Jesus Cristo, pois Deus mesmo nos dá a graça de toma-Lo e de O adorarmos e amarmos em sua humanidade santificada.


Amando a Deus na sua humanidade, amando a Deus nos seus santíssimos sentimentos e em suas tarefas humanas, amando a Deus em toda a extensão de seu amor seremos verdadeiramente devotos do Sacratíssimo Coração de Jesus, e O teremos tomado para nós, como Ele deseja.


Não tenhamos medo! Tomar o Coração de Cristo é o melhor que podemos fazer, humana e, na graça de Deus, divinamente falando. Sejamos verdadeiros devotos do Coração Amorosíssimo de Cristo, e amemos verdadeiramente a Deus, amemos com todas as nossas faculdades e capacidades, queiramos amá-Lo integralmente. A partir deste amor íntimo e pleno para com o Sagrado Coração de Jesus, veremos a transformação da Igreja e da humanidade.


Por fim, recordemos que nunca se poderá tomar o Sagrado Coração de Jesus sem tomar antes o Imaculado Coração de Maria, como nos recorda o Venerável Pio XII:

“A fim de que a devoção ao coração augustíssimo de Jesus produza frutos mais copiosos na família cristã e mesmo em toda a humanidade, procurem os féis unirem-se a ela estreitamente à devoção do coração imaculado da Mãe de Deus. Foi vontade de Deus que, na obra da redenção humana, a santíssima virgem Maria estivesse unida a Jesus Cristo; tanto que a nossa salvação é fruto da caridade de Jesus Cristo e dos seus padecimentos, aos quais foram intimamente associados o amor e as dores de sua Mãe. Por isso, convém que o povo cristão, que de Jesus Cristo, por intermédio de Maria, recebeu a vida divina, depois de prestar ao sagrado coração o devido culto, renda também ao amantíssimo coração de sua Mãe celestial os correspondentes obséquios de piedade, de amor, de agradecimento e de reparação.


Em harmonia com esse sapientíssimo e suavíssimo desígnio da divina Providência, nós mesmos, por ato solene, dedicamos e consagramos a Santa Igreja e o mundo inteiro ao coração Imaculado Coração da Santíssima Virgem Maria.” (Haurietis aquas, n. 74)


Sejamos, pois, verdadeiros amigos de Cristo, tomando o Sagrado Coração de Jesus e o

Imaculado Coração de Maria.


Fontes: (1) PIUS XII P.P. Haurietis aquas. Roma. 15 de maio de 1956. Disponível em:

http://w2.vatican.va/content/pius-xii/pt/encyclicals/documents/hf_p-

xii_enc_15051956_haurietis-aquas.html. Acessado em: 16.06.2020.


(2) RODRIGUES, Padre Afonso, S.J. Exercícios de perfeição e virtudes cristãs. Vol. 1. Tipografia da União Gráfica B. de Santa Clara, Lisboa, 1927, p. 32.

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