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Cada um contra si: pirateando o amor


"Eu sinto isso onde quer que eu vá. Nada mais me assusta". Essas foram as palavras publicadas por Olívia Voltaire em seu twitter um dia antes de se matar, em janeiro deste ano. Olivia se juntou a indústria pornográfica em 2016. Suicídio, vício em drogas e depressão são fenômenos comuns aos trabalhadores desta "indústria". Segundo dados da Pink Cross Foundation, nos últimos 18 anos a indústria de filmes pornográficos registra cinquenta suicídios e quarenta mortes por abuso de drogas. A expectativa de vida média de uma atriz pornô é de 36 anos. Nós conseguimos levar a exploração da sexualidade humana a níveis nunca antes vistos numa sociedade, e ainda assim somos destruídos por um impulso humano que nos acompanha desde o princípio dos tempos. Parafraseio Matt Fradd em uma de suas palestras: "Nós não falamos sobre sexo. Ok, nós contamos piadas sobre sexo, cantamos, grafitamos, tagarelamos mas nunca paramos para pensar no que sexo realmente é."

João Paulo II, em uma de suas 129 catequeses da teologia do corpo, diz que o homem e a mulher, juntos, representam a humanidade que Deus criou e disse que era bom. Não era bom que o homem estivesse sozinho. Entendem agora o sentido que o Santo Padre dá a essa passagem do Gênesis? Vou recortar os seguintes aspectos especialmente relevantes desta matéria: O ato conjugal é algo que pertence à intimidade e que não deve ser abusado. O sexo é visto pelo mundo com uma caixa mágica de bombons, da qual podemos comer quanto, como e onde quisermos. O homem moderno e a mulher moderna se ofendem com qualquer limite ou consequência que imponham ao seu gozo infantil e imaturo. O catecismo da Igreja Católica (§2351-§2363), ao tratar dos pecados contra a castidade, explora as noções de "finalidade do ato" e "respeito à intimidade". Os limites não existem por existir, muito menos resumem a castidade, mas derivam destas duas ideias.

Nós acreditamos (ou fingimos acreditar) que encharcando a mídia, a publicidade, as conversas, a educação e as artes com sexo nós estamos criando jovens (e futuramente adultos) com maior auto-confiança e responsabilidade; mas isso é juvenil e mentiroso. Por que? Porque aquilo que nos é vendido não é sexo, é uma paródia, é uma falsificação grosseira que amputa as duas pernas fundamentais de uma vida matrimonial saudável: fidelidade e sacrifício. Dizem aos jovens que a pedra filosofal do "amor" está a sua disposição, que é a sua incansável propriedade, que o amor em Woodstock é livre porque rompeu com as bases "caretas" da tradição monogâmica (mesmo que no fim ainda seja a mulher que tem de lidar com a maioria das consequências, só que agora sem um companheiro). Sexo sem compromisso é uma péssima ideia, porque os vínculos biológicos e emocionais vão nos compromissar mesmo que os ignoremos.

Na verdade, o ser humano em sua ânsia de não sofrer, inventa o sexo sem compromisso e cria uma sociedade psicótica: se você não tem vínculo com a pessoa que te contempla em seu estado mais vulnerável, se você não tem obrigações para com a pessoa que você trás ao mundo (lembrando que o mundo engloba também o ventre materno), se você não tem obrigações com a pessoa que te colocou no mundo e pode simplesmente abandona-la em um depósito como um HD obsoleto ou destruí-la, quais são os vínculos relevantes que você tem na sua vida? Você não tem. Se for assim, você abraçou a lógica do hedonismo e do egoísmo atual: Primeiro sou eu, depois sou eu de novo, e no fim, abandonado e usado por outros iguais a mim, sou ainda eu e só eu. "Um se beija no outro refletido, dois amantes que são, dois inimigos".

Como diria C.S. Lewis "o homem cheio de luxúria que vai a um bordel não está em busca de uma mulher, mas em busca de um prazer venéreo para o qual a mulher é um mero aparato. O fumante não mantém a cartela de cigarros depois de fumar. Chesterton também analisava o comportamento dos frequentadores de bordéis, e chegou a conclusão de que cada um deles buscava algo muito mais raro e estimulante que suas depravações: Deus. O homem quer ver Deus em todas as coisas e quer ver todas as coisas em Deus, mas é orgulhoso e em sua ânsia de dominar o mundo esquece de dominar a si mesmo. Só vence quem se vence. Nenhum ser humano suporta ser a fonte de todo o prazer e satisfação que outro espera, isso drena as pessoas, destrói vidas e relacionamentos. Temos que aprender a mirar a satisfação em Deus e também a nos frustrar. Pessoas aborrecidas não são frustradas, são as que não sabem se frustrar. Essas pessoas se colocam no lugar de Deus em seu trono, mas não no horto, na flagelação ou no calvário.

É essa geração de bebê chorões que sustenta uma indústria que prospera com o tráfico de pessoas, que droga seus "empregados" para que tenham condições de filmar, uma epidemia oculta de suicídios, overdoses, violência e doenças. Santo Agostinho, em seu comentário ao salmo 84, fala que todas as uvas (almas) da vinha sofrem, seja na prensa esmagadas pelo peso do mundo, seja devoradas pelos animais e pássaros. O sofrimento é intrínseco na vida: vamos fugir dele ou permitir que ele mature o sumo das nossas obras de amor? Na cruz, Cristo se torna leproso, pobre, mendigo, odiado e perseguido pelo mundo, por amor da Esposa do Cordeiro. O dom de si é a natureza da sexualidade humana. O dom fiel, integral, íntimo, rico, respeitoso e fecundo.


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