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Neve Preta


"Meu nome é Ozymandias, Rei dos reis, contemplem minhas obras ó poderosos, e desesperai-vos". Nesse poema de Percy Shelley, o autor escreve sobre a estátua do Faraó Ramsés como resquício de um poder temporal imenso que hoje jaz abandonado na imensidão das areias. O anticristo macaqueia a Glória de Deus e a parodia, muitas vezes corrompendo os poderes deste mundo para que ousem reclamar o Trono sobre as consciências. Devemos nos guardar: o arcebispo Fulton Sheen avisa que o Inimigo muitas vezes veste capas atraentes de humanismo, paz e fraternidade, mas sem a Paternidade de Deus ou a Divindade de Cristo, numa religião sem Cruz.

França, 1794: A voz do magistrado ecoa em resposta à pergunta que havia feito a freira Carmelita: "É pertencerdes tolamente à religião". Essa é a razão pela qual guilhotinaram as dezesseis monjas de Compiège, que não juraram lealdade ao regime de terror da Revolução Francesa, e subiram ao patíbulo uma a uma cantando "Vinde oh Espírito Criador". Por volta daquele mesmo período, por meio das colunas do general Louis-Marie Torreau (as doze colunas do inferno, como eram conhecidas) os revolucionários franceses massacraram camponeses católicos aos milhares na região da Vandéia, o próprio general registrando em cartas aos seus superiores como esmagou crianças com cavalos, e relatos históricos falam de cifras de mais de quatro mil pessoas (entre elas crianças de cinco anos e meninas de doze) foram afogados em Nantes, sendo rebocados em botes até o meio do rio, que eram então afundados. Padres e Freiras eram submetidos aos chamados "casamentos ou batismos republicanos", onde eram despidos e amarrados dois a dois, para serem lançados nas águas e morrer.

Em 1952, o filósofo Bertrand Russel divagava sobre métodos de controle social em sua obra, e de como os Governos poderiam produzir a convicção inabalável de que, por exemplo, a neve é preta (ou de que dezesseis freiras mansas e reclusas são fanáticas perigosas). A doutrinação teria de começar antes dos dez anos, a influência da família deveria ser afastada, o processo incluiria músicas repetitivas e aqueles que contestassem a narrativa que claramente não condiz com a observação prática seriam ridicularizados como excêntricos mórbidos. Apenas alguns anos depois temos a obra de Kingsley Davis e sua sucessora Adrienne Germain defendendo a indução na mudança de comportamento social (possibilitando o aborto sem remorso) e Herbert Marcuse com seu conceito de perversão polimorfa usando hipersexualização como arma política de derrocada civilizacional. Seja por meio de perseguição armada, seja por meio de humilhação pública (o partido nazista de maneira publicava charges de Pio XII), seja por políticas públicas que tornam impossível a prática da Fé, não é raro ver Governos de diversas matizes ideológicas perseguirem a Igreja, e pensadores que lhes dão o arcabouço teórico para isso.

A perseguição por parte dos governos é explicada por eles próprios: As leis de perseguição aos católicos sob o reinado de Elizabeth I se embasavam na justificativa de que estes estavam sujeitos a um poder estrangeiro maior que o da Rainha. Voltaire quando escreveu o Tratado sobre a Tolerância defendia que católicos não deveriam ser tolerados justamente pela mesma razão. Elizabeth tornou a presença em cultos da igreja do Estado algo mandatório, e os católicos que se negavam iam para prisão (recusants). Interessante o paralelo com a China, na qual o Partido Comunista Chinês instituiu a sua variante própria de várias religiões (inclusive a Igreja Católica) em substituição à Fé dos Apóstolos por uma "fé fantoche". O que está em jogo não é uma divisão clara entre o mundo público do "bem comum" e o mundo privado da Fé, mas sim uma batalha de valores que buscam orientar a vida em comunidade. O Estado olha gulosamente para o patrimônio da Igreja, seja esse patrimônio Moral, Intelectual ou Material, sendo inclusive curioso notar como alguns pretensos "liberais" defendem a taxação de igrejas enquanto simultaneamente estão convictos de que o imposto é roubo.

A melhor ilustração para essas invasões é o Socialismo. Declarado como inimigo da Fé por múltiplos papas, essa Doutrina não pode ser compatibilizada com a fé católica nem de forma moderada, pois os seus princípios são hostis aos nossos: negar qualquer aspiração humana além do bem estar material (Mater et Magistra, 1961), reduzir a Família a um derivado da lei civil construída pelo Estado (Quanta Cura, 1864), Ateísmo e negação a Personalidade Humana como características fundantes da Sociedade (Libertatis Nuntius, 1984). A professora Marilena Chauí (marxista de renome no Brasil atual) comprova essa visão retratando a família em suas obras como uma construção recente e despótica do capitalismo (Palestra "A Fragilidade da Democracia", 2016, para alunos do 9º ano do Colégio Oswald de Andrade) que só é defendida por quem é "besta".

Para os Socialistas a Propriedade Privada, a Fé e a Família são contingências sociais que devem se adequar ao progresso social a ser decidido pelos Iluminados Conscientes do Partido. A religião para Marx é um sol ilusório que afasta o homem da verdadeira felicidade e deve ser abolida. Não por coincidência o Khmer Rouge de Pol Pot arrasava catedrais, a União Soviética blasfemava a Colina das Cruzes na Lituânia e muitos grupos hoje julgam legítimo pichar Igrejas, desfigurar obras sacras (Brasil nos dois casos), simular a Virgem Maria abortando o Menino Jesus (Argentina) ou fazer ameaças de bombas contra o Papa Franscisco (Chile). O Estado Totalitário odeia a Igreja porque coloca um freio e lhe diz "tu irá somente até esse ponto e daqui não passará, aqui se deterá o orgulho de suas ondas" (Jó 38,11).

Alguns podem dizer "o Estado que fique com o Mundo, com a moeda que pertence à César, que tem seu rosto e seu nome grafados, que Nosso Senhor tirou da boca de um peixe para mostrar quão mundanos e desprezíveis são os senhores deste mundo; desde que não toque em minha alma, na qual está grafado o nome e a insígnia do crucificado". Porém o Papa Francisco previne contra este tipo de purismo e isenção: em setembro de 2013, em uma de suas homilias, exortou os cristãos a orar pelos detentores do poder para que se convertam. Não negociem a Vida, não negociem a Fé, Não negociem a Consciência: não negociem a Dignidade Humana que está dentro das fronteiras do Reino do Altíssimo, isso é usufruto e não propriedade nossa.


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